Cigano

Somos caminhantes, que desvendaram o mundo, passo a passo, quilômetro a quilômetro, mas que de alguma forma, durante o caminho, esqueceram de continuar caminhando e decidiram parar, acampar e por fim construir. Frequentemente penso, que o pior desse vírus não é a morte em si, mas sim a forma como essa morte vem, solitária, sem uma mão conhecida para reconfortar, e nem mesmo a pior das pessoas merece morrer sozinha, sem um último abraço, um beijo de despedida, sem um último adeus. O adeus é necessário para deixar-nos livres desse mundo, sem âncora alguma para nos prender aqui, e quando isso não nos é dado, fica difícil partir, e ficamos ancorados onde já não pertencemos, onde não somos mais vistos. Só espero que tudo isso passe o quanto antes, e que sejamos capazes de passar por mais essa, mesmo que não sejamos merecedores disso, pois o mal que fizemos ao mundo não é digno de perdão e de segunda chance. Espero que esse período negro nos ensine a evoluir, a enxergar a beleza de um dia de sol, do vento na cara e da convivência com o outro, e o mais importante, que não voltemos a ser como antes, e sim que sejamos melhores, muito melhores. Que esse momento nos faça compreender que nós não somos seres individuais, apesar de habitarmos um só corpo, mas sim um coletivo, que deve andar de mãos dadas e sempre se comunicar e visar o bem do outro a nossa frente ou ao nosso lado, e entender que ferir ao outro é ferir a nós mesmos. Precisamos aprender a enxergar que nós somos hóspedes neste planeta, somos visitantes neste mundo, e um visitante não destrói a casa de quem lhe deu abrigo, não machuca quem dorme no quarto lado, e muito menos coloca fogo nas paredes,  joga lixo pelo chão, ou maltrata o gato ou o cachorro da casa, o visitante ajuda e faz por merecer a sua estadia ali, e faz de tudo para tornar qualquer lugar, o seu próprio lar.

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