Sobre a saudade e os medos que nunca me permiti sentir

E quando eu paro e penso em tudo que eu já vivi, todas as dores que já senti, toda a esperança perdida e reencontrada, em todos os sorrisos por mim causados, eu começo a rir sozinho, não sei se de nervoso ou de alegria. Alegria pela forma como nós dois acontecemos, do jeito certo e no momento certo, ou se pela minha única imagem favorita ser a do teu sorriso emoldurada em minha mente. Ou seria uma risada nervosa pelo medo de que isso não seja só um medo e tu passe de ser o que é pra ser o que não é mais, deixando essa saudade enraizada há tantos anos ganhar força de novo e se criar por inteira, se tornar eterna. Mas não consigo acreditar que tenhamos chegado até aqui apenas por chegar, por capricho do universo em pôr na palma das mãos algo que mal cabe dentro de mim pra tirar antes mesmo que eu tenha a chance de fechar com força pra não deixar escapar uma partícula sequer. Evito pensar nisso. Evito pensar. Só me permito sentir. Sentir e aproveitar cada segundo ao teu lado, tornando cada um deles uma vida, uma história sem final feliz, sem fim, apenas infinitas histórias, sem mudanças de protagonistas, onde só o que muda é o cenário, e onde nós escrevemos o roteiro no improviso, dia após dia. Somos exatamente o que tínhamos de ser. Fizemos exatamente o que deveríamos fazer, pra chegar até aqui e ser, ter e pertencer um ao outro, transformando duas histórias em uma só.

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