Imensidão
E quando eu dei por mim já era tarde demais, já estava perdido na imensidão daquele sorriso, e agindo contrário a racionalidade, tentando não encontrar uma saída dali, quando o mais correto a fazer era fugir e me perder na dor da saudade, evitando assim uma dor e um estrago ainda maior.
Mas eu ansiava pela explosão, por me tornar nada além de estilhaços de memórias, impossíveis de juntar, espalhados por aí, marcando a presença dela em cada canto do mundo, para me lembrar toda vez que eu tropeçasse em algum deles o quanto a alegria e a dor da experiência finita equivale a dor da inexistência de experiência alguma.
Me sentia mais vivo e invencível com ela, onde cada segundo, por mais comum que fosse se tornava incomum e digno de preservar na memória.
Ela é minha força disfarçada de fraqueza, a heroína na qual eu me tornara viciado e não fazia a mínima questão de largar, um vício saudável que eu me permitia e pretendia me viciar ainda mais.
Ela é mais que um vício, é minha terapia para um vício que ela própia criou mesmo sem querer a partir do momento que sorriu de novo pra mim, me fazendo perder a razão na imensidão das covinhas daquele belo sorriso capaz de fazer o coração parar e o mundo se endireitar fazendo tudo que antes parecia errado parecer certo.
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